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quarta-feira, março 15, 2006

Nove, nove e meio, nove vezes fora… nada

O futebol moderno tem algumas expressões utilizadas que na grande maioria das vezes são um vazio em termos de conteúdo. Debrucemo-nos sobre o “futebolês” e suas implicações tácticas.
Muitas vezes ouvimos falar em “pressão alta” – que Mourinho apelidou de conversa de cozinheiro –, “basculação” (seja lá o que isto é), entre outras expressões. A verdade é que hoje em dia existem alguns treinadores, que por terem um discurso mais erudito, são logo apelidados de treinadores do futuro com uma grande capacidade teórica mas pouca aplicação prática. No início da época as equipas da I Liga contrataram treinadores que tinham duas características: vestem bem e falam bem. Quase no fim do campeonato alguns desses pedantes não conseguiram aguentar o lugar. Os fatos de corte moderno e as palavras bonitas não jogam nem na grande maioria das vezes fazem jogar.
Quando ouvimos falar em “pressão alta” pergunto-me por vezes qual será o contra-ponto; será “pressão baixa”. Não estará a equipa moderna obrigada a pressionar a equipa adversária no sentido de roubar a bola? Não será a principal arma de uma equipa a posse de bola? Não será o futebol moderno hoje muito mais rápido? Tirando o futebol do Rio de Janeiro onde Roger, ex-craque do Benfica é craque, e se calhar onde outros números dez brasileiros seriam grandes estrelas, o futebol moderno obriga a roubar a bola o mais rápido possível. Ou seja, “pressão alta” igual a roubo de bola. Confesso que “pressão alta” deve ser uma expressão mais apelativa!
Outro dos comentários que temos lido e ouvido da pena e da boca de alguns jornalistas diz respeito às posições dos jogadores. No Benfica e também no Porto temos vindo a assistir à análise dos sistemas tácticos onde muitas das vezes os mesmos comentadores advogam a colocação de um jogador na posição de 9 e meio. Um jogador que nem é um armador de jogo nem é um verdadeiro ponta de lança. 9 e meio?! E um central que joga na esquerda ou na direita? Será um 2 e meio? 3 e meio? 4 e meio? 5 e meio? A verdade é que a polivalência do jogador é uma mais valia. Por isso há que lhe dar um nome. Para o avançado que joga nem como ponta de lança nem como construtor de jogo já arranjaram uma designação. O que se seguirá. Estou curioso para verificar qual a expressão a utilizar nesta nova tendência de utilizar centrais como laterais. É uma opção táctica discutível mas cada vez mais adoptada. A verdade é que muitas equipas utilizam esta opção. O Milan adapta Stam a defesa direito, e inclusive chegou a jogar numa linha de quatro defesas em que Costacurta jogava a defesa esquerdo e Maldini, canhoto, jogava a central. O Barcelona joga com Oleguer, central de origem, a lateral direito. O Chelsea, do Special One, usa Gallas como lateral, seja no lado direito seja no lado esquerdo. No âmbito nacional temos vários exemplos: Caneira no Sporting, Alcides e Ricardo Rocha no Benfica, e Ricardo Costa durante uma parte da época do FCP.
A estes jogadores que ocupam lugares que não são naturalmente e originalmente os seus, os comentadores/jornalistas apelidam de falsos. São os falsos laterais. São os falsos números 10. São os falsos avançados.
Eu também sou um falso comentador. É pena que outros não se assumam como tal. E existem por aí muitos falsos comentadores, falsos jornalistas, falsos treinadores e falsos dirigentes. Assim como existem comentadores falsos, jornalistas falsos, treinadores falsos e dirigentes falsos.
É o nosso falso futebol com o seu falso “futebolês”.

1 Comentários:

  • Às 12:35 p.m. , Blogger RS disse...

    André,
    Os tempos em que o futebol se jogava com 11 acabaram. E parece que quem gosta de futebol começa a reparar nisso. Se fizermos as contas ao numero de jogares provavelmente hj jogamos com 12 ou 13 com tantos "falsos" a pisar os torrões desses estádio. Sinceramente também não vejo o pq de o futebol ter que pertecer a uma elite que julga q sabe o q é a pressão alta ou a transição. O problema, ou não, é que o futebol deixou de ser transmitido com a pratica e experiencia e começou a ser teorizado por individuos q escrevem uns livros de iniciação a treinadores mas que nunca se sentaram num banco e se calhar nem numa bancada.
    Abraços

     

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